
O Sindimetal-PR realizou, na última sexta-feira (12), o seu 1º Simpósio Técnico. O evento, que reuniu cerca de 100 profissionais em sua sede, promoveu cinco painéis focados em perspectivas econômicas, inovações em materiais, metrologia e a aplicação de inteligência artificial no ambiente fabril.
Na abertura, o idealizador da atividade e diretor do Sindimetal-PR, Thomaz Christian Hogan (Normatic Tratamentos Térmicos), elogiou o empenho da equipe em promover o primeiro evento de grande alcance da entidade e destacou sua relevância para o setor.
“O Simpósio foi um esforço conjunto da equipe para que o evento fosse um sucesso. Além disso, entendemos que esse encontro é uma forma de retribuir à sociedade e aos associados a confiança depositada na instituição”, afirmou Hogan.

Panorama Econômico (2026-2028)

O primeiro painel apresentou o panorama econômico para o triênio 2026-2028, conduzido pelo economista e gerente de Desenvolvimento Industrial e Social do Sistema Fiep, Marcelo Percicotti. Com base em dados do Boletim Focus, o economista projetou um crescimento anual do PIB entre 1,9% e 2%, e a taxa Selic em 10% até 2028.
Segundo Percicotti, embora 80% dos industriais paranaenses planejem investir no curto prazo, as altas taxas de juros farão com que 60% utilizem capital próprio.
Dados do setor no Paraná:
- PIB: A indústria representa 28,3% do PIB do Paraná e emprega 1 milhão de pessoas.
- Perfil: O segmento metalmecânico é composto por 96% de micro e pequenas empresas.
- Emprego: O nível de emprego na área cresceu 29% desde 2020.
- Gargalos: O economista apontou a escassez de mão de obra (com desemprego estadual em 3%) e a necessidade de transição das pequenas empresas do Simples Nacional para o regime regular, impulsionada pela reforma tributária.
Usinabilidade e revestimentos tecnológicos

O segundo painel, conduzido por Eduardo Gembra, presidente da Mitsubishi Materials Brasil, detalhou os fatores técnicos que determinam a usinabilidade dos materiais. Gembra definiu o conceito como a facilidade ou dificuldade de cortar um material para atingir o resultado projetado.
Segundo o executivo, o processo é determinado por três propriedades da peça:
- Dureza: Quando baixa, prejudica o controle do cavaco; se excessiva, acelera o desgaste da ferramenta.
- Condutividade térmica: Ligas que retêm calor na zona de corte reduzem a vida útil da aresta.
- Resistência mecânica: Demanda maior força de corte do maquinário.
Gembra concluiu destacando que o investimento em conhecimento e ferramentas de alto rendimento garante processos estáveis, previsíveis e livres de custos ocultos com paradas de linha ou refugo de peças. “Essa eficiência é o diferencial para a competitividade da indústria brasileira perante mercados concorrentes”, pontuou.
Metrologia e normas dimensionais

A precisão dimensional e o sistema de Toleranciamento Geométrico e Dimensional (GD&T) foram os temas do terceiro painel, apresentado por Daisuke Kato, presidente da Mitutoyo Sul-Americana, e pelo engenheiro Rafael Spacini de Castro.
Daisuke Kato contextualizou a trajetória da fabricante de instrumentos de medição fundada no Japão em 1934 e instalada há 53 anos no Brasil. Com um catálogo de 5.500 itens, a empresa expandiu sua estrutura de atendimento na região Sul com a abertura de um centro técnico avançado (M³ Solution Center) em Joinville (SC), focado em serviços de calibração e manutenção de sistemas tridimensionais de medição.
Na sequência, o engenheiro Castro explicou o funcionamento do sistema GD&T em comparação com o desenho técnico baseado exclusivamente em coordenadas cartesianas lineares. No modelo cartesiano tradicional, a aplicação de tolerâncias quadradas em furos gera variações na diagonal que provocam a rejeição injustificada de peças que seriam funcionalmente utilizáveis.

Seleção de aços e redução de peso

Na abertura da sessão da tarde, o presidente do Sindimetal-PR, Cleuber Lodovico, reforçou o valor do encontro:
“É um evento de grande importância para as empresas do setor, além de ser o primeiro simpósio técnico que a casa realiza. Foi idealizado por um dos nossos diretores e hoje está se concretizando. Sem dúvida, é o fruto do esforço e da dedicação de muitas mãos.”
O bloco de palestras foi iniciado por Procópio José de Maçaneiro Neto, especialista da ArcelorMittal Brasil, que abordou os critérios essenciais para a seleção de aços planos: desempenho mecânico, segurança e viabilidade econômica.
“Casos de padronização excessiva ou a escolha de aços nobres sem necessidade técnica real podem inviabilizar o custo do produto final”, alertou o engenheiro.
Maçaneiro detalhou o portfólio da companhia, apontando que os laminados a quente são destinados a estruturas, tubos e indústria naval, enquanto os laminados a frio e galvanizados atendem ao setor automotivo. Ele destacou tecnologias como:
- Aços IF (ultra baixo carbono): Para estampagem complexa.
- Bake Hardening: Que ganham resistência durante a secagem da pintura.
- Aço ao boro (Usibor): Empregado em colunas de veículos para reduzir o peso e garantir segurança contra impactos.
Infraestrutura de dados e inteligência artificial

O encerramento do simpósio tratou da evolução dos sistemas de informação e da inteligência artificial (IA) nas fábricas, com apresentação de Charllon Trauer Farias., arquiteto de soluções da Totvs.
O especialista alertou que muitas indústrias metalmecânicas buscam soluções de IA sem antes consolidar rotinas básicas de gestão, como o planejamento de necessidade de materiais (MRP) nos sistemas de ERP. Segundo Charllon, o sucesso da IA depende diretamente de processos internos bem definidos, formação de pessoal e uma infraestrutura de dados sólida.
Trauer classificou a IA generativa como uma “tecnologia de propósito geral”, comparável historicamente à eletricidade ou à telefonia móvel, por servir de plataforma base para múltiplos serviços e automações industriais.
Após os debates, os palestrantes receberam homenagens institucionais do comitê técnico do Sindimetal-PR.


