Encontro com Adriane Portes abordou mudanças no sistema tributário, prazos para opção pelo novo regime e a importância de preparar a gestão financeira das empresas
O SINDIMETAL-PR realizou, na segunda-feira (28), a primeira de uma série de três palestras sobre os impactos da Reforma Tributária para as empresas. O encontro foi conduzido por Adriane Portes, que chamou a atenção para os prazos de adequação e para a necessidade de as empresas acompanharem as mudanças e seus possíveis efeitos sobre a gestão.
Entre os pontos destacados está o prazo de 30 de setembro de 2026 para que as empresas optantes pelo Simples Nacional escolham entre manter o IBS e a CBS dentro do regime unificado ou recolher esses dois tributos pelo regime regular, modelo conhecido como Simples Híbrido. A escolha terá efeitos no primeiro semestre de 2027.
Durante a palestra, Adriane ressaltou que a Reforma Tributária não deve ser tratada como um assunto restrito ao departamento contábil. As empresas precisam acompanhar o mercado e compreender como as mudanças podem afetar suas relações comerciais, fornecedores, clientes e a própria formação de preços.
Mudanças na estrutura dos tributos
A Reforma Tributária também altera a estrutura dos tributos e a forma como os créditos serão apurados ao longo da cadeia produtiva. PIS e Cofins serão substituídos pela Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), enquanto ICMS e ISS serão gradualmente substituídos pelo Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). Juntos, CBS e IBS formam o novo modelo de IVA brasileiro.
No regime regular, a sistemática passa a trabalhar com a não cumulatividade e o aproveitamento de créditos de IBS e CBS, observadas as regras e exceções previstas na legislação — como nos casos de bens e serviços de uso ou consumo pessoal. A mudança exige atenção das empresas às operações realizadas com fornecedores e clientes e à documentação necessária para a apropriação dos créditos.
O IPI não será simplesmente substituído pelo Imposto Seletivo. A partir de 2027, suas alíquotas serão reduzidas a zero para praticamente todos os produtos, com exceção daqueles que também sejam industrializados na Zona Franca de Manaus. O Imposto Seletivo, por sua vez, é um novo tributo, com finalidade e incidência próprias.
Gestão financeira será fundamental
Outro alerta apresentado durante o encontro foi para que as decisões não sejam tomadas com base em estimativas ou “achismos”. Para Adriane, a análise dos números da própria empresa deve estar no centro das decisões durante o período de transição.
A gestão financeira ganha, nesse contexto, papel estratégico para acompanhar os efeitos das novas regras, avaliar cenários e planejar a necessidade de capital de giro.
Durante a apresentação, foram mencionados cenários e estimativas de mercado, como uma alíquota de referência projetada em torno de 28%, que poderá chegar a 33% — ressaltando-se que a legislação não estabeleceu uma alíquota padrão definitiva. A especialista também destacou dados de um estudo da ROIT, realizado com mais de mil empresas, que apontou que 46,98% da amostra analisada apresentou perda significativa de margem e lucratividade nos cenários avaliados. Os números foram trazidos como projeções para reforçar a necessidade de cada organização avaliar os impactos de acordo com a sua própria realidade.
Programação segue pelo Paraná
A palestra realizada em Curitiba abriu a programação do SINDIMETAL-PR sobre o tema. As próximas atividades estão programadas para Irati e Guarapuava, ambas no dia 29 de setembro.
Irati
29/09 | 8h30 às 10h30
Casa da Indústria
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Guarapuava
29/09 | 18h30 às 20h30
Casa da Indústria
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