O SINDIMETAL-PR, em parceria com a Corporatio Governança e Sucessão, realizou na manhã de ontem (29-10-26) o evento “Fórum de Governança e Sucessão”. O encontro reuniu empresários e executivos com o objetivo de debater as melhores práticas de gestão corporativa e os principais desafios da sucessão familiar.
A primeira parte do Fórum de Governança trouxe para o centro da discussão o tema “As fronteiras de atuação entre governança e gestão”, conduzido pelo especialista Wolney Pereira. O foco principal da palestra foi desmistificar o papel da governança nas organizações e esclarecer a linha tênue que separa os direcionamentos de longo prazo do cotidiano operacional.
Durante a palestra, Wolney destacou que, enquanto a governança tem a responsabilidade de traçar rumos, garantir a perenidade do negócio e zelar pela ética, a gestão foca na execução e nos resultados de curto prazo. “O grande desafio das empresas é olhar para o futuro sem perder de vista as demandas do dia a dia”, pontuou o palestrante, enfatizando que a estruturação de regras claras, políticas organizacionais e o alinhamento societário são passos indispensáveis antes mesmo da criação de um conselho formal.
A segunda parte da programação foi conduzida pelo advogado e especialista em direito societário e empresarial Dr. Idevan Lopes, sócio-fundador da Corporatio, que direcionou o debate para um dos temas mais sensíveis e críticos para a continuidade das empresas de controle familiar: a sucessão empresarial e a separação entre gestão, propriedade e patrimônio.
Durante sua apresentação, Idevan Lopes enfatizou que a sucessão não pode ser tratada como um evento de última hora provocado por imprevistos, mas sim como um processo estratégico planejado com anos de antecedência. Segundo o especialista, o foco das organizações deve residir na garantia da continuidade e da perenidade da empresa, e não apenas na escolha antecipada de quem substituirá o fundador.
O palestrante também destacou a importância de preparar a nova geração não apenas para assumir cargos de gestão, mas fundamentalmente para o papel de sócios conscientes, ressaltando que os sucessores precisam ser preparados para entender a estratégia, os riscos, as finanças e o compliance do negócio antes de assumirem o comando executivo ou as cadeiras decisórias.
Outro ponto alto do fórum foi a discussão sobre a clareza nas regras de entrada de herdeiros, a gestão de conflitos de interesses e a salvaguarda do patrimônio familiar e societário. O especialista abordou a necessidade de estabelecer critérios transparentes em acordos de acionistas e contratos sociais, diferenciando nitidamente a remuneração pelo trabalho exercido, como pró-labore ou salários, do retorno sobre o capital investido, como dividendos.
Ao final, Idevan reforçou que uma governança sólida transforma relações emocionais em diretrizes institucionais claras, preservando o legado dos fundadores e a saúde financeira da empresa sem comprometer a harmonia familiar.”





